A tarde/noite no estádio Santiago Bernabeu foi de gala. Uma apresentação digna dos grandes nomes do futebol mundial, ainda mais em se considerando a realidade mercadológica contemporânea. Tudo feito para Kaká. O que poderia soar como um peso a mais para a produção natural do meio-campista brasileiro, na verdade, é visto pelo próprio como uma inspiração a mais.
“É uma grande responsabilidade, mas não é algo negativo para mim. É apenas uma fonte de motivação. Entendo que foi uma contratação importante, mas também entendo que durante a minha vida joguei por grandes times. Eu queria continuar fazendo isso”, garantiu o jogador contratado por aproximadamente 65 milhões de euros do Milan.
“O Milan abriu as portas para uma negociação pela primeira vez em janeiro. Quando terminou a temporada, eles disseram novamente que havia ofertas. Então eu disse que gostaria de ir para o Real Madrid se em algum momento eles decidissem me vender”, revelou Kaká, que rechaçara anteriormente uma transferência para o emergente Manchester City.
“Além de ter aumentado muito a responsabilidade, é uma cobrança pessoal e é uma característica dele. O Kaká está trabalhando com a expectativa das pessoas, algo contínuo, e sempre se mostra motivado”, avalia a psicóloga Irene Araújo Corrêa.
O desempenho regular do jogador ao longo dos últimos anos de sua carreira podem estar relacionados também à capacidade de autogerenciamento das emoções próprias. Os efeitos de um mau momento, ou algum oportunismo que possa provocar um abalo, são minimizados pelo desenvolvimento de uma condição ideal de controle.
“Isso faz parte da formação, e algumas pessoas apresentam esse componente diante de um desafio. Para ele, o desafio não é algo que o bloqueia ou o congela, mas que impulsiona a sua carreira”, aponta Irene.
Ao longo de sua entrevista coletiva, já de terno, após ter posado para fotos com a camisa 8 merengue – o número pertencia ao argentino Fernando Gago e foi o mesmo com que Kaká se firmou como profissional no São Paulo e atuou na seleção pela Copa do Mundo de 2006 –, reiterou, muitas vezes condicionado pelos jornalistas locais, a grandiosidade do Madrid.
“Hoje foi um dia incrível, inesquecível, não apenas na minha vida, mas na de muitas outras pessoas. Foi histórico para mim. Escolhi o Real Madrid porque tem apelo para mim em todos os sentidos. Quando converso com meus companheiros na seleção, eles sempre falam do Real Madrid. Por isso decidi que, se um dia deixasse o Milan, seria para cá, e agora isso se realizou”, proferiu.
Kaká se disse impactado pelo projeto esportivo apresentado pelo novo presidente do clube, Florentino Pérez, em seu terceiro mandato. E, claro, pela possibilidade de atuar ao lado de um outro grande referencial dos campos nas últimas temporadas: Cristiano Ronaldo.
“Seus objetivos me convenceram. Depois, ele [Pérez] falou que outro jogador importante seria contratado. Fiquei satisfeito, por que ele [Cristiano Ronaldo] vem de um grande time. Estamos nos juntando a um grande time”, acrescentou o brasileiro.